quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Tristeza não tem fim. Felicidade sim.

Não foi a primeira e, infelizmente, creio que não tenha sido a última vez que meu coração veio na boca por conta de uma presença estranha na janela do meu carro:
- Melhor eu pedir R$ 5,00 pra Sra. prá comprar fralda prá minha filha do que estourar seu vidro, não acha?
Durante o feriado foi uma moça no mercado que, toda suja e decabelada, arrastando uma criancinha igualmente suja, carregando alguns danones, salgadinhos e uma bandeja de mortadela na mão, pedia para que eu pagasse as coisas que ela queria levar.
Semana passada, na feira, foi uma senhora que me pediu a lata de Coca-Cola, de preferência com um pouquinho do refrigerante para ela beber.
Em todas as esquinas da cidade temos homens, mulheres, crianças, velhinhos e velhinhas pedindo dinheiro para comida, bebida, remédios, leite do neném, fralda. Dinheiro para cegos, deficientes, HIV positivos.
As mazelas são inúmeras, o sofrimento, sem fim.
Eu sempre me senti mal. Penso sempre nos mil pares de sapatos que comprei, nas baladas que fiz, nos exageros que cometi para, exatamente naquele momento, não poder ajudar a criancinha, o velhinho, a moça do mercado.
Claro que eu estudei muito e trabalho demais prá bancar meus exageros, mas o caso é que eu tive oportunidade. E se não tivesse tido?
O caso é que a resposta para o que vivemos hoje no país não está na ponta da língua. De quem é a responsabilidade? Minha? Sua? Do governo?
Quem é que pode responder? Eu certamente não posso.
A única coisa que sei é que cansei de viver com medo, com remorso.
Eu estudei, me esforcei, trabalhei, fiz por mim, pela família, pelos amigos e, ainda assim, não basta. Tenho que conviver com a falência da nação todo santo dia, em cada esquina desta cidade. É um fracasso coletivo, eu sei, mas certamente tenho que carregar minha parcela de culpa.
Há algum tempo, parada no cruzamento da Bandeirantes com a Funchal, num dia muito, muito ensolarado, vi um bebê no colo de uma mulher que devia ser sua mãe. Um bebê magrinho, mas tão magrinho... os bracinhos, as perninhas tão fininhas. Me bateu um desespero.
Por pouco não desço do carro e pego a criança prá mim aos gritos. Fiquei doida, queria levar aquele bebê dali de qualquer jeito. Mas não levei.
Carrego comigo essa culpa. Onde estará meu bebezinho?


O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
(Caetano Veloso)

domingo, 4 de novembro de 2007

Rio de Janeiro

Nunca acreditei em amor à primeira vista, mas quando eu conheci o Rio de Janeiro, foi exatamente isso o que aconteceu: eu me apaixonei. Especialmente, por Copacabana.
Como boa paulista, sempre odiei o Rio à distância. Sempre achei que a veneração à Cidade Maravilhosa era coisa de novela: afinal, o que é que ela tem de especial? O Cristo?
O caso é que quando o avião pousou no Santos Dummond a coisa toda mudou de figura. Me encantei com a cidade, com as praias, com tudo. Amor. À primeira vista. Assim, sem explicação.
A minha sina foi voltar prá São Paulo e escutar que o Rio é uma cidade sitiada. E é, de fato, todo mundo sabe. Não me conformava que um lugar tão lindo pudesse viver sitiado pela violência, pelo tráfico de drogas, à mercê dos bandidos. Como pode?
Todas as barbaridades que eu já estava acostumada a ouvir sobre a Cidade Maravilhosa tomaram outra forma prá mim, tinham outro peso agora. Eu lamentava a situação do Rio de Janeiro como boa espectadora da situação, afinal, eu não moro lá.
Andei tão entretida com a minha própria rotina que foi um pouco sem querer que ouvi alguns comentários acerca de Tropa de Elite – o polêmico filme de José Padilha.
Fui assistir ao filme no dia da estréia – antecipada, por causa da pirataria - sozinha, numa sexta-feira. Sala lotada, expectativa total: depois de “descobrir o filme”, pesquisei um bocado sobre ele.
Saí da sala chocada, estarrecida. Não sabia o que pensar, não sabia se acreditava naquilo ou não. Eu sempre vivi marcada pela violência, marcada por morar em um país violento mas aquilo era muito além de tudo o que eu podia imaginar.
As cenas de violência, a crueldade. Tudo me chocou. O discurso forte, a agressão moral à classe média, ridícula, que se afunda há anos na lama do país, calada, sendo responsabilizada pela manutenção do tráfico de drogas. Jovens estudantes das melhores faculdades do país reduzidos à maconheiros e... nada mais. Jovens estudantes, “o futuro deste país” fumando maconha e bradando seus discursos enlatados, desenformados pela visão parcial e distorcida da realidade em que vivem.
Achei corajoso, verdadeiro. Entendi porque o filme não foi o nosso indicado para concorrer ao Oscar. Já imaginou a repercussão? Ninguém aguenta tanta verdade.
O caso é que o filme mexeu comigo, profundamente. Assisti mais de uma vez. Comprei o livro, Elite da Tropa e fiquei ainda mais horrorizada. De uma maneira diferente, mas ainda assim, horrorizada. O filme é mais simpático, acreditem, o livro, de uma realidade muito crua, um sarcarsmo irritante do narrador mas, ainda assim, muito bom.
Resolvi me aprofundar e, neste momento, estou lendo Abusado - O Dono do Morro Santa Marta, de Caco Barcellos. É o outro lado da história: narra a trajetória de um famoso traficante carioca e a sua ascenção na vida do crime.
Continuo chocada. O Rio de Janeiro me fascina por vários motivos.
Gostaria de ter alguma esperança de um dia, poder morar lá.



Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de um minuto estaremos no Galeão
Copacabana, Copacabana

Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Pousar...
(Samba do Avião - Tom Jobim)

domingo, 21 de outubro de 2007

A dívida

Todo grande (ou médio) passo exige muito planjamento. Pelo menos prá mim. Dinheiro é sempre uma coisa complicada, tem que ter RES-PON-SA-BI-LI-DA-DE. Foi assim que me ensinaram.
Pois bem. Foi por isso que eu passei meses e meses pesquisando preços e configurações de notebooks. Cogitei importar, guardar dinheiro e pagar à vista (isso é quase impossível prá mim!) mas acabei decidinddo comprar logo e pagar em suaves prestações que cabem no meu orçamento.
Finalmente comprei meu tão sonhado note, com toda a responsabilidade que caberia o momento, afinal, não sou rica e nem ganho rios de dinherio por mês.
Ele chegou na quinta-feira e, confesso, estava bem ansiosa prá começar a brincar. Assim, marquei com o técnico de instalar o roteador na sexta. Mal poderia me conter: meu brinquedinho tava quase pronto prá ser estreado de verdade.
Não conseguia mais conter a emoção e, foi assim, cantando Sandy & Junior com todo o folêgo que possuo, dentro do carro, sexta-feira, 18h30 da tarde, voltando prá casa que, ao cruzar o farol da Pedro de Toledo, seguindo direto e reto pela Rubem Berta, que uma fumaceira desenfreada começou a sair do capô do carro. Deixe-me ser um pouquinho mais clara: DO CAPÔ DO MEU CARRO.
- PUTAQUEOPARIU, o que é que tá acontecendo?
Prá mim, se tá saindo fumaça é porque vai explodir - mais cedo ou mais tarde.
Parei a porra do carro atrás da pick up de um marronzinho que, Graças à Deus, estava parada ali e o homem deu o veredicto:
- Xiiiiiiii, moça, furou o radiador. Pode chamar o guincho.
Não, não é possível! A primeira reação é sempre negar. Isso não pode estar acontecendo comigo. O carro saiu da revisão outro dia - vocês sabem, tiveram o prazer de ler à respeito.
Resumindo: carro guinchado, internet instalada, meu brinquedinho prontinho prá ser usado - a prova disso é este texto, escrito diretamente da mesa da sala, ao som de 10,000 Maniacs e L.S. Jack. Tudo obra do brinquedinho - e da dívida que eu fiz.
Mas o mais importante de tudo isso é que no sábado de manhã eu tinha que tomar uma providência com relação ao carro guinchado, certo?
E a providência era ligar prá quem? Pro simpático e sempre disposto à ajudar, o nosso 'Seu' Luis. O famoso. Aquele mesmo. Liguei.
- Seu Luis? Bom dia, Pequena Veneno falando.
- Pequena Veneno? A do Corsa?
- Isso mesmo.
- Difícil te esqueceer!!!!!
Ah, vá prá puta que o pariu. Esse comentário certamente não era um elogio, acreditem. Caramba, tô toda fudida, endividada, meu carro quase explode e eu ainda tenho que ouvir desaforo do mecânico?
Eu sou ADVOGADA, não entendo porra nenhuma de carro e é prá isso que servem os macânicos. Ou não, tô errada? Pirei de vez e não realizei?
Mas como minha relação com o seu Luis é de amor e ódio, mais especificamente, um amor bandido - ele me maltrata mas eu goooostio... - levei meu carro prá ele ver, morri com quase 400 paus por causa de uma droga de radiador furado e uma mangueira de sei-lá-o que que tava vazando.
Mas quem é que liga?
Olha eu aqui de novo: sem hora e nem lugar prá escrever.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A batalha dos vegetais

Morar sozinha sempre foi um objetivo de vida - de vida paquita, mas ainda assim, UM OBJETIVO DE VIDA. O amor aos sapatos e às baladas me afastam um pouco do momento de alcançá-lo, mas enfim, uma hora eu vou ter que tomar algum tipo de atitude para que isso se realize.
Com este firme propósito em mente, iniciei o que seria, não tão mais tarde, a primeira prova de fogo para uma paquita que, a vida inteira mimada por sua Mamãe Veneno, almeja alçar seu primeiro vôo rumo à liberdade: passei o fazer feira todos os domingos, na qualidade de observadora de Mamãe Veneno. Minha primeira intenção era me aproximar da realidade, já que sempre me considerei uma brasileira privilegiada. Mas acabei aprendendo a diferenciar alface lisa de crespa. Um sucesso!
Devo esclarecer logo de cara que a minha intimidade com os afazeres domésticos não poderia ser descrita com simples palavras. Somente quem teve o privilégio de conhecer os meus hábitos refinados é que poderia ser capaz de relatar: sapatos de R$ 200,00, unhas feitas - e perfeitas! - toda semana, transporte público? Só quando falta inspiração para escrever - e dá-lhe Vila Gilda! Cerveja: Bohêmia, shampoos de R$ 80,00 - importados, obviamente. Creminho para o corpo: Mary Kay - R$ 60,00 o tubo. Como diria meu ex-namorado: "Monange nem pensar, né?" Só pode estar de palhaçada!
Foi exatamente nesses termos, muito íntima da simple life, que ontem fui à feira e, detalhezinho importante: SEM Mamãe Veneno.
Saí de casa de posse do carrinho - sim, um carrinho de feira - com R$ 50,00 no bolso e a missão (impossível) de trazer frutas, verduras e legumes que foram cuidadosamente listados no guardanapo da balada de sábado à noite.
- Traz o troco! - bradou Mamãe Veneno.
Fui. Vestidinho fashion, bolsinha, havaianas, ÓCULOS ESCUROS. Não sei se pelo sol ou para não ser reconhecida, confesso.
Escolhi alface romana, diferenciei agrião de rúcula. Dispensei um maço de brócolis porque "não estava bonito". Aproveitei promoções imperdíveis:
- SEIS POR CINCO, TRÊS POR DOIS E MEIO.
Traduzindo: seis saquinhos de legumes diversos por singelos R$ 5,00, três saquinhos por R$ 2,50. Uma loucura! Comprei mandioquinha, pepino, quiabo, cenoura. Escolhi beterraba. Ou pelo menos era isso o que eu ACHAVA que eu tava fazendo.
Os tomates estavam horrorosos, mas imagina se eu apareço em casa sem tomates itlianos! Mamãe Veneno me mata!
Cada item era examinado, comparado. Nada de pressa! Meu nome é eficiência.
Chego em casa orgulhosa, com o carrinho semi-cheio e sou indagada logo de cara, pelo sensível Irmão Veneno, perplexo:
- VOCÊ FOI À FEIRA?
- Fui.
- MAS VOCÊ SABE FAZER FEIRA???????
- Bom, isso é o que nós todos vamos descobrir durante esta semana.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A polêmica

Ultimamente ando assim: tô dispensando carona só prá pegar o Vila Gilda e ver se me dá uma luz, se as palavras brotam. Ando rezando prá alguma coisa maluca acontecer na minha frente prá eu poder fazer um texto legal.
A verdade é que ando meio limitada - em tempo, idéias, recursos - ando trabalhando muito e tenho acesso limitado ao meu instrumento de trabalho - o computador.
Não posso também deixar de considerar que escrever é uma arte e arte exige inspiração. Inspiração não bate na porta - invade, com o pé no peito. Se deixar escapar, azar o seu. Já perdi mais de um texto porque o danado surgiu dentro da minha cabeça às 4 da manhã. Juro que se eu entrar às 4 da matina no quarto do meu irmão, ele vai me apavorar. "Vai tomar no ..." vai ser a coisa mais simpática que eu vou ouvir.
Outro problema são as próprias histórias para se contar: muitas delas podem comprometer uns e outros - eu, inclusive. Nem tudo pode ser publicado. É claro que eu posso me utilizar - e utilizo - de artimanhas e subterfúgios, como por exemplo, usar code names, maquiar acontecimentos, omitir, mas sempre tem um de faro fino que identifica o pecador.
A última polêmica de meus textos foi o raio do abismo que eu inventei de abrir na cabeça dos meus leitores: essa história de pula ou não pula já me rendeu alguns telefonemas. Muita calma nessa hora - estamos diante de uma metáfora.
Os apaixonados que me perdoem, mas o amor é mesmo um abismo.

E o que vou contar hoje é que tenho, diante de mim, três solteironas balzacas - quase, quase nos trinta - todas elas bem diante de seus abismos:
Morena Veneno, que está diante do mesmo abismo pela segunda vez, doidinha prá pular. Já se estabacou uma vez e, quando achou que estava recuperada, se viu lá, diante do próprio, louca prá se atirar mais uma vez, nos braços do amor.
Solteira Veneno - essa já se jogou. Não sabe se volta, não sabe se quer voltar, não sabe de nada. Só sabe que não dorme mais. Não come. Foi queda livre, pura adrenalina. Um jump que não dá prá esquecer. Não acreditou que acabaria estatelada no chão. Luta todos os dias prá se recuperar da queda e tá quase lá.
A última é uma sonhadora. Fica cega quando se vê diante do abismo: é tudo o que ela sempre quis mas, o medo, a paralisa. E lá ela fica, na beirinha do abismo...

Façam suas apostas: quem será a primeira a pular??

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

O abismo - Parte II



- Pula! Pula! O que vc tem a perder??
- Eu?? Nada...
- Então, menina, vai fundo. Paga prá ver!

***

- Não sei... se estivesse no meu estado normal diria "Pára com isso, isso vai dar merda!", mas eu não tô... Pula! Pula mesmo! Pula de cabeça!!!!!!
- !!!

***

- É... complicado. Não dá prá saber.
- É, não dá.
- Mas como você vai saber se não pular?
- Pois é...

***

- Ah, pula! Pode pular.
- Será?
- Já vi pularem e acabar tudo bem. Tem chance...
- Ai.

***

- Vou acabar pulando de qualquer jeito mesmo...

***

E o abismo lá... inteirinho diante dos meus olhos.

terça-feira, 21 de agosto de 2007

A febre



Persigo-te há tanto tempo...

Em meus sonhos,

nos meus delírios mais insanos.

Persigo-te de olhos fechados,

nem sempre de coração aberto.

Preciso tanto e tão pouco,

dessa ilusão...

Temo ter sido tudo em vão.

Fujo, luto.

Acabo sempre em seus braços.

Persigo uma ilusão,

uma febre,

nem sei mais se quero encontrar.

Segue seu caminho,

eu fico aqui.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

O abismo

Sempre estive dividida entre este mundo e o outro. Um mistério, não sei explicar... o caso é que desde cedo percebi que nem tudo acontecia do lado de cá da linha. E mais: algumas coisas só aconteciam daquele lado.
Ocorre que viver em cima deste muro pode ser perigoso, sem volta.
Lá daquele lado, a vida tem trilha sonora! Viver daquele lado é muito bom: eu arrisco, perco o controle, jogo alto, ganho muito, não saio machucada. Às vezes sofro um pouquinho também - prá me aproximar do lado de cá.
Nas profundezas dos meus pensamentos - vejam bem, não estou falando de sonhos! - lá no outro mundo, que só existe dentro da minha cabeça, é onde tudo o que eu mais quero, eu tenho.
O que mais alguém poderia querer desta vida - esta aqui, deste lado?
Acho que é por isso que eu tento encontrar os pedacinhos da minha vida - esta daqui mesmo - nas minhas músicas, nos meus filmes, na minha novela preferida. Assistir novela é viver a vida dos outros - por uma hora por dia, claro.
E é por isso que recolho todos os dias o que sobrou de mim e encontro nesta ou naquela música, neste ou naquele filme. Não é a toa que clamo por uma trilha sonora na minha vida, não é a toa que toda a profundeza dos meus sentimentos afloram nas músicas que coloco aqui, neste Blog.
E é por isso, também, que existem filmes que nos tocam prá sempre. As nossas verdades estão lá, nas histórias que contam.
Se quiserem entender cada palavra escrita aqui - palavras de amor, de esperança, de desilusão, de carinho, de saudade, de revolta, de dor - precisam assitir Cidade dos Anjos.
Aquilo é tudo o que eu sei sobre a vida e sobre o amor. A vida é feita de escolhas e, cada escolha, uma renúcia. Foi a coisa mais importante que aprendi até hoje.
E o amor... bem, este é complicado.
O amor maior é aquele em que você fecha os olhos, respira fundo, sabe que vai perder tudo e, ainda assim, se joga - literalmente, no caso do filme - prá cair de cabeça... na realidade.
***

"Si tú no vuelves
se secarán todos los mares
(...)
Si tú no vuelves
no quedarán más que desiertos
(...)
Si no vuelves no habrá vida
no sé lo que haré"
Si Tú No Vuelves (Miguel Bose/Shakira)

quarta-feira, 25 de julho de 2007

A tartaruga


Depois de muuuuuuuuitos dias de chuva, uma trégua: quinta-feira de sol de verdade.
Uhuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu... biquini, protetor, liga pro Tutu (o bugueiro) e lá vamos nós: Mamãe Veneno, Quiança Veneno e Pequena Veneno em cima do buggy, "à milhão" - como bem descreveria a Quiança - para tomar um pouco de Sol, conhecer praias, coisas que pessoas de férias no Nordeste fazem.
Anda de buggy, balança, balança, balança, chega na praia. Vamos andar de jangada, ver o encontro do rio com o mar e... os cavalos-marinhos!
- Olha, é assim que funciona, vocês podem subir na jangada e, se não aparecer mais ninguém em 5 minutos, a gente vai assim mesmo, tá? Se aparecer, a gente completa os lugares e vai, tudo bem?
Claro! Como não? Tá ÓTEMO. Melhor ainda se não chegar ninguém e o passeio for VIP, certo? MULHERES VENENO NA JANGADA!
O caso é que eu sou a prova viva de que a Lei de Murphy existe, sim, acontece, sim e, às vezes, mais de uma vez, com a mesma pessoa, no mesmo dia! Isso é fato.
4 minutos e 30 segundos... 29...28...27... Opa!
Aproximam-se da região do embarque uma grupo de 900 senhorinhas, aproximadamente, que foram imediatamente muito bem acomodadas entre a jangada em que Família Veneno estava e outra, completamente vazia.
Primeiramente, devo ressaltar que adoro todas as vovózinhas, muito antes de respeitá-las, mas elas, em geral, tem duas práticas que em muito me afligem, e que exigem de mim uma coisa que, confesso, não tenho de sobra: PACIÊNCIA.
Quando a intenção é relaxar - baseado no famoso NO STRESS ou, "Xô Aperreio", como eles dizem no Recife, fica complicado. As vovós costumam reclamar demais e repetem muitas vezes a mesma coisa. E isso me enlouquece!
De qualquer sorte, o fato é que não tinha jeito, elas embarcaram e, vale ressaltar, super animadas! Eu me concentrei em abstrair e ponto final.
Logo no embarque, a primeira vovózinha, com medo de virar a ex-Jangada Veneno Vip, começou:
- Por que eu não tenho onde segurar? Eu quero segurar em algum lugar. Me ajuda aqui! Me ajuda!
E repetiu as frases 8 vezes, aproximadamente.
Tudo bem, abstrai a vovó medrosa, é só se concentrar! Após 30 minutos, aproximadamente, ela conseguiu subir e foi convencida gentilmente pelo jangadeiro de que não seria necessário se segurar em parte alguma.
Sucesso! A partir daí, só alegria, jangada em movimento e ... cavalos-marinhos! Ou não.
Em seguida, o condutor da jangada vizinha, que levava a outra parte da excursão das vovós, informou:
- Agora, vou levar vocês para o Beco da Baiúca!!!!
O grito de alegria e espanto veio em seguida:
- TARTARUUUUUUUUUUGA? AONDE?????
E começou a procurar na água, no céu, na jangada.
Acabou. Quando eu dei por mim, a Quiança Veneno estava caída no chão, segurando a barriguinha de tanto rir.
Bom mesmo é trabalhar.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Mais uma vez


Não consigo falar, pensar.
Fico muda,
sem meus sentidos.
Não faz nenhum sentido.
Senta e respira,
fecha os olhos e,
enxerga com a alma.
Calma, muita calma.
Respira tua paz,
coloca tudo prá fora,
começa de novo.
De novo.
Outra vez?
Sim, outra vez.
Chega mais perto
Sente o calor,
sim, o calor.
Calma, muita calma.
É assim que começa.
Tudo outra vez,
mais uma vez.

***

"...Havia algo de insano naqueles olhos

Olhos insanos

Os olhos que passavam o dia a me vigiar

A me vigiar..."


(Nenhum de nós - Camila, Camila)

terça-feira, 3 de julho de 2007

O sertão vai virar mar e o mar vai virar sertão


Há dois anos quando saí de férias em Julho - odeio sair de férias em Julho, não sei porque faço isso!
Enfim, há dois anos quando saí de férias em Julho decidi que não lutaria contra o clima e me dirigiria serenamente à Gramado, na companhia do meu então namorado, para uma espécie de Lua-de-Mel. Friozinho, foundie e, quem sabe, neve! Fiz uma mala repleta de blusas de lã, cachecóis de todas as cores, touquinhas e chepéuzinho de lã, devidamente adquirido em Campos do Jordão, o Chile brasileiro!
Tamanha foi a minha surpresa - e de todos os passageiros do avião - quando ao anunciar o pouso, o piloto gentilmente nos informou:
- Boa tarde Srs. Passageiros, sejam bem-vindos à Porto Alegre. Tempo bom. Temperatura local: 30ºC.
- TRINTA GRAUS????????????????????????????????????
O cara só podia estar maluco. Agosto, Porto Alegre, férias em Gramado, TRINTA GRAUS??????????
Resumindo: usei 4 camisetas (que eu honestamente não sei o que estavam fazendo na minha mala), durante os 8 dias em que estive em Gramado, desfrutando dos agradabilíssimos 30ºC, à sombra.
Este ano resolvi, sim, desafiar o clima e o destino escolhido foi, obviamente, o Nordeste: Porto de Galinhas, como vocês bem sabem.

Começamos bem, com Sol no domingo. Sol de verdade. Seguido de chuvas torrenciais na segunda, terça e quarta-feira. Tempestades. "Tropical Storms", como diriam meus amiguinhos, serenos habitantes de Cayman Islands. Chuva braba, "de doer o lombo", em bom Pernambuquês. Chuva sem fim, eterna, interrompida por uma quinta feira ensolarada e seguida de uma sexta-feira de... CHUVA.
O negócio é o seguinte: tudo bem chover a semana inteira, afinal, O QUE É QUE EU POSSO FAZER À RESPEITO??? NADA, CERTO????
Mas parar de chover no dia de ir embora, aí não!!! Aí é brincadeira. Brincadeirinha essa seguida, obviamente, de uma piada de mau-gosto divina: passei a semana in-tei-ri-nha cercada por casais em Lua-de-Mel e criancinhas de colo - todos conhecem o meu apreço pelas criancinhas: dormindo, mudinhas ou bem longe de mim.
Pois no sábado, dia de deixar o Pernambuco, abriu um puta Sol e o hotel se viu repleto de rapazes solteiros.
Só pode ser piada.
Bom mesmo é trabalhar.

* * *

ORAÇÃO DA SERENIDADE

Concedei-nos, Senhor,

A serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar,

Coragem para modificar aquelas que podemos e,

Sabedoria para distinguir umas das outras.

sábado, 23 de junho de 2007

A viagem


Ah... Férias!
Férias no Brasil é uma alegria!!!! Aeroporto, vôos no horário... Já dá prá imaginar, né?
Porto de Galinhas, aí vou eu!
Falo com vocês na volta... assunto não vai faltar!

terça-feira, 12 de junho de 2007

O Dia dos Namorados

Tô devastada.
Não, não é por causa do Dia dos Namorados. O fato é que hoje foi o “Dia do Carro da Pakita no Macânico”.
- Olha, é o seguinte: os vidros não funcionam e o rádio também não! – foi o que disse para o "Seu" Luis. Traz o carro aqui na terça que eu desmonto e ligo prá Sra. com o preço... aí a Sra. vê se aprova ou não.
Ai, que meda! Aprovar orçamento do mecânico. O cara só podia estar brincando. Não estava. Me liga o "Seu" Luis", hoje, às 10h30 da manhã, supostamente, com o orçamento:
- Dona Veneno, é o seguinte... A SRA. É MALUCA?????? Os vidros estão ok, foi até baratinho, mas...
Tirando o lance do MALUCA, esse “mas” me deixou cabrera. Que mas é esse??? Eu acabei de trocar os pneus, mandei balancear, alinhar, troquei o escapamento - tudo semana passada! O que mais que se faz num carro??? Eu troco até o óleo dessa porcaria... exatamente como manda o figurino. Ou não? Pelo jeito não.
- Olha, a Sra. deve estar maluca, mesmo... NUNCA trocou a correia dentada???? E as velas?? EU NÃO SEI COMO É QUE O SEU CARRO ESTÁ ANDANDO!!!! Tem que trocar a correia dentada, trocar as velas, limpar os bicos, trocar o filtro da gasolina, filtro de ar... A SRA. NUNCA FEZ NADA NESSE CARRO???????
Ai, me abana! Do que é que este Sr. está falando?????? Correia dentada??? What the hell... Meu Deus do céu.
- Eu preciso saber quanto isso vai custar.
Pessoal, vamos ser realistas: o que, exatamente, disso tudo, me interessa?? O preço e, a forma de pagamento, no máximo!!
Liguei para um HOMEM (é para isso que eles servem – Ah! E para abrir vidro de palmito também!) para confirmar se todas as alterações propostas pelo mecânico – sim, aquele que me chamou de MALUCA! – procediam ou não.
- Procedem, pode fazer!
- "Seu" Luis? Pode fazer tudo. Que horas que eu passo aí prá pegar o carro?
- Às sete tá tudo pronto.
- Maravilha! Ótemo!
Cheguei lá às 7 da noite, crendo que meu maior problema seria preencher o cheque no valor insano que o "Seu Luis" me passou. Mas não. Lá vem ele, com uma das sombrancelhas levantada, uma das mãos na cintura...
- Olha, Dona Veneno, não é bricadeira não... ESSA BATERIA É ORIGINAL?????
A SRA. NUNCA FEZ NADA NESSE CARRO???
- Eu?? Bem, eu... veja bem, "Seu" Luis... Carro de mulher, o Sr. sabe como é...
- MAS TÁ NO MANUAL, CARAMBA!!!!!!!!!!
Só faltou aquele homem me pegar pelo pescoço. Nunca vi tamanha indignação com a ignorância alheia como a do "Seu Luis" ali, diante da minha monguice, da minha incapacidade de zelar pelo único bem que eu tenho nessa vida: o meu carro!
Não, cacete, eu nunca fiz bosta nenhuma nessa porra de carro. Mas que inferno!!!!! Ele estava andando!!! Mas que diabos se faz num carro que funciona????? O que mais aquele homem queria??? Eu troco o óleo, pô, não serve???
- Troca a bateria, "Seu" Luis.
Como bem diz a minha santa mãezinha: “O que é um peido, minha filha, para quem está todinho cagado?”. Quanta sabedoria.

E assim, depois de trocar a bateria do meu carro, o "Seu" Luis esboça o que vamos chamar de sorriso:
- Agora sim! AGORA PODE IR ATÉ A BAHIA COM ESTE CARRO!
E eu voltei prá casa me perguntando:
- Com que dinheiro???? COM QUE DINHEIRO EU VOU ATÉ A BAHIA COM ESTE CARRO?????

Tô quase desistindo das minhas férias.
Como eu disse: tô devastada.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Trilha Sonora

Minhas melhores recordações da infância são musicais: as músicas que meus pais ouviam quando eu tinha 4, 5 anos talvez. Djavan, Ivan Lins, Milton Nascimento, Guilherme Arantes, Roupa Nova, Flávio Venturini... Mais tarde seria Marisa Monte, Adriana Calcanhoto, Gal Costa, ...
É uma coisa tão forte que carrego até hoje: enquanto minhas amigas escutam Jovem Pan, Transamérica e Metropolitana, eu passeio pela Alfa FM, Antena 1, Rádio Sucesso, a antiga Rádio Cidade, lembram? - essa só à noite - Love Songs antes de dormir.
A verdade é que a música sempre teve papel importante na minha vida, principalmente na formação da minha memória. Tem gente que tem memória visual, memória olfativa... eu não. Eu tenho memória musical! Sempre lembro qual era a música que estava tocando - ou a que eu gostaria que tivesse tocado - nesse ou naquele momento. E não é para menos: eu ouço música tanto quanto posso: enquanto troco de roupa, no trânsito, adormeço ouvindo música (Love Songs, como já confessei!), amo dançar. Quando não tinha som no carro, cantava Djavam (Pérola, para ser mais exata), do banco para a faculdade, da faculdade para casa.
Gosto tanto de música que acho a coisa mais sem graça do mundo a vida da gente não ter trilha sonora. Por exemplo, quando vi o mar de Cayman pela primeira vez fiquei paralisada, boquiaberta. O que faltou? "Foi assim / como ver o mar / foi a primeira vez / Que eu vi o mar". Existem músicas que simplemente foram feitas para aquele momento da sua vida.
Quando se apaixona: "Por ser exato o amor não cabe em si / por ser encantado o amor revela-se / por ser amor invade e fim";
Quando perde o amor da sua vida: "Você me entorpeceu / e desapareceu / vou ficando sem ar / o mundo me esqueceu / meu sol escureceu / vou ficando sem ar / esperando você voltar";
Quando termina a faculdade: "If I could reach, higher / just for one moment touch the sky / from that one moment / in my life" e "Amigos para sempre";
Quando tá triste: qualquer uma de Adriana Calcanhoto;
Quando não quer dormir no volante: Shakira, com a janela do carro aberta;
Quando tá se arrumando prá balada "Say it right";
40 anos, casado, filhos pequenos, workaholic: "Devia ter amado mais /Ter chorado mais / Ter visto o sol nascer / Devia ter arriscado maisAté errado mais / Ter feito o que eu queria fazer";
Dor-de-cotovelo 'blaster', versão contemporânea: "Eu sei / tudo pode acontecer / Eu sei / nosso amor não vai morrer / Vou pedir, aos céus / você aqui comigo / Vou jogar, no mar / flores pra te encontrar".
Música, acima de tudo, emociona.
Creio que quando o I-Pod foi inventado, chegamos muito perto de corrigir esse "esquecimento" bobo de Deus, de colocar música em nossas vidas, permitindo que cada um de nós tenha sua própria trilha sonora, todos os dias, em todos os lugares. Antes do I-Pod, jamais poderia caminhar na praia, fim de tarde, pé na areia, cabelo ao vento, sol batendo no rosto ... "E antes que aumente a dor / Esqueça tudo o que passou / Pra nunca mais / O tempo vai reconstruir / Os pedaços que perdi / Pra nunca mais".

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Trabalhadores do Brasil

O trabalho enobrece, enaltece ou enlouquece o homem?
Vira e mexe ouço gente dizendo que "de trabalhar ninguém gosta" e fico pensdando se eu sou ou não sou mesmo um E.T.(... telefone, minha casa!).
É um aqui dizendo que "não vai trabalhar 8 horas por dia por R$ 500,00", outro ali dizendo que "namorar, estudar e trabalhar é simplesmente IM-POS-SÍ-VEL", que "tal lugar é longe", que "nesse emprego tem que trabalhar de sábado e domingo, onde já se viu"???
Desculpa, mas não sei do que esse povo está reclamando. Já trabalhei 4 horas por dia por 250,00 reais menos os dedos do pé - quem já fez "Fórum Central" (leia-se acompanhamento de processos judiciais no Fórum João Mendes) sabe do que eu estou falando. Com o salário que eu ganhava, só podia comprar sapato duro mesmo, nada de Shoestock, não, meu irmão... E dá-lhe meia calça (uma por dia, porque o sapato duro furava as danadas) e esparadrapo nos dedos, que doíam horrores.
Depois, trabalhei concursada no Ministério Público do Estado de São Paulo por - pasmem! - R$ 40,00 por mês: com direito a papanicolau no açougueiro prá passar no exame médico e computadores que um dia pertenceram aos Flinstones. Trabalhar para o Estado é isso: padecer no paraíso. Não é brincadeira, não.
Trabalhei também na Central de Atendimento da Cohab. Já imaginou a pakita aqui atendendo os populares furiosos, das 10h00 às 17h00, por incríveis R$ 600,00??? Tá pensando que eu só tive emprego bom???? Muita água teve que rolar debaixo da ponte prá chegar onde eu cheguei. Não é bem assim, não...
O caso é que no começo é difícil mesmo, prá todo mundo, sem exceção. Tem que ralar muito prá ganhar pouco, fazer o que não gosta e até trabalhar de graça, se isso lhe render boas referências no currículo. Tá pensando que é o que? Que tá fácil ganhar dinheiro, fazer sucesso???? Colher todo mundo quer, né, mas plantar que é bom... aí fica difícil.
Tem que correr na frente porque correndo atrás todo mundo tá, essa é que é a verdade.
E ainda dizem por aí que mulher tem só duas chances de ficar rica: a primeira é NASCER rica; a segunda, CASAR com homem rico. Realmente, trabalhar, que é bom, ninguém quer não, né? Bem que me avisaram que casar por amor não tá com nada. Mas, prá quem não acredita, a solução é continuar ralando.
Cada um sabe de si, não é mesmo?

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Copo D´Água

Às vésperas de completar seus temidos 30 anos, ela dispara, em meio à uma conversa, aparentemente, inofensiva:
- Olha, é muito simples: você tá no deserto, morrendo de fome e de sede. Aí vem alguém e te oferece um copo d´água. Você aceita ou não aceita???
Fiquei ali parada, olhando prá ela, tentando adivinhar onde aquilo tudo ía dar. Ela continuou:
- Tem que aceitar, pô... não é exatamente o que você precisa, mas pode ser ABSOLUTAMENTE TUDO o que aquela pessoa pode te oferecer naquele momento. Não é verdade?
- É...
Tenho pena daqueles que cruzarem os meus caminhos pelo deserto: ando com um conta-gotas no bolso. E é realmente tudo o que eu tenho prá dar: uma gota d´água.
Houve época em que dei um oceano inteiro.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Crimes & Pecados

Católica por batismo e cética por opção (ou falta de), inspirada na visita do Papa ao Brasil, resolvi investigar se é possível, nos dias de hoje, viver em conformidade com os ditames básicos da Igreja Católica.
Surpresa! Descobri que alguns dos mandamentos são também, vejam só: CRIMES, previstos no Código Penal, objeto de meu estudo por anos e anos, não só na faculdade, mas junto ao Ministério Público, onde estagiei por algum tempo.
Assim, herege confessa e ex-amante do Direito Penal, acredito ter escolhido o tema religioso que, até a presente data, mais se aproximou da minha fé.
Seguem meus comentários acerca dos mandamentos que, pelo menos em tese, deveriam reger nossas vidas católicas:

1- Não terás outro deus diante de mim (...) - Começamos mal: este mandamento, por exemplo, não é crime! E vejam só: é muito possível que seja respeitado, sim. Forçando a amizade poderíamos tentar encaixar em cerceamento da liberdade de expressão, mas acho que não cola, não. É egoísmo, no máximo.

2- Não farás para ti imagem de escultura representando o que quer que seja do que está em cima no céu, ou embaixo na terra (...) - Não acredito que tenha profundas implicações no cotidiano dos fiéis e também não é crime! Tal diretriz católica pode ser cumprida sem problemas, muito embora haja quem diga que nem mesmo os santos poderiam ser representados por imagens. Se nem eles se entendem, quem sou eu para dizer alguma coisa.

3- Não pronunciarás em vão o nome do Senhor (...) - Esse aqui é, com certeza o mandamento mais violado de todos - eu mesma, por exemplo, diante da mais ínfima dificuldade, encho o peito e brado: "AI, PELO AMOR DE DEUS!!!!" - é incontrolável, sai sem querer. E quando a apelação não sai diretamente para o Divino (como diz uma amiga que não é católica, mas é muito religiosa), sai para o "enviado" do mesmo: "AI! JESUS ME ABANA!"

4- Guardarás o dia do sábado e o santificarás, como te ordenou o Senhor, teu Deus. Trabalharás seis dias e neles farás todas as tuas obras; mas no sétimo dia, que é o repouso do Senhor, teu Deus, não farás trabalho algum, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem teu boi, nem teu jumento, nem teus animais, nem o estrangeiro que vive dentro de teus muros, para que o teu escravo e a tua serva descansem como tu - Aqui já encontramos um exagero - comprometer-se é uma coisa, outra é prometer pela família inteira, os animais, os estrangeiros, os ... escravos? Aqui temos crime sim. Pessoal, escravo não pode!!!! De qualquer forma, aproveito para fazer aqui, uma ressalva SOCIAL: hoje em dia, prometer não trabalhar, em qualquer dia ou horário e por qualquer razão (religiosa ou não tão nobre), num país em que o índice de desemprego vai à alturas, é um perigo! Vai por mim, o espertinho acaba é perdendo o emprego.

5- Honra teu pai e tua mãe, como te mandou o Senhor - Esse aqui até quem não é católico ou se diz herege - como eu - cumpre, isso eu devo admitir. Somente o pior dos seres realmente é capaz de desonrar pai e mãe - não que não exista, mas convenhamos, até bandido perigoso chora quando fala na mamãe.

6- Não matarás - Sem chance. Esse aqui só vale fora dos Gardens (Miriam´s Garden, Angela´s Garden, ...) e ainda assim, vira e mexe a classe média se vê envolvida com garotos que matam suas avós, estudantes de direito que matam seus pais - dormindo, na cama, dentro de casa. Esse aqui caiu em desuso e rompeu a barreira do razoável. No Brasil, mata-se por uma infinidade de causas: dinheiro, trabalho, jogo, amor. É caso de polícia mesmo. E no Código Penal, tal mandamento está contemplado no art. 121.

7- Não cometerás adultério - Dispensa comentários. Adultério é o que mais se vê nesse mundo, concorrendo diretamente - em matéria de mandamento menos popular - com o mandamento de n. 6. E agora que este ex-crime foi escorraçado do Código Penal, juntamente com o conceito de "mulher honesta" - SOCORRO! Amarrem seus maridos e esposas no pé da cama, que a situação dos relacionnamento amorosos, hoje em dia, beira ao caos.

8- Não furtarás - Esse aqui não é mandamento coisa nenhuma - é lei e ponto final. Malandro pode se informar melhor sobre isso no Código Penal, Art. 155. Se não cumprir, vai se entender é com a polícia, mesmo. Sem choro nem vela. A única ressalva jurídica aqui é que o roubo, muito mais violento do que o furto, não foi contemplado pelo "Todo-Poderoso". No mínimo, esquisito.

9- Não levantarás falso testemunho contra o teu próximo
- Esse aqui também é crime (art. 342 do Código Penal), mas o que não falta é criatura tirando do seu prá botar no do outro, é ou não é?? Todo mundo aqui já se viu numa situação em que se não mata, morre - ou seja, cá estamos nós, cidadãos de bem, violando o mandamento de n. 6 novamente.

10- Não cobiçarás a mulher de teu próximo - Aqui, vamos ser honestos - estamos diante de um exagero de moralidade, um excesso de zêlo, eu diria. Pessoal, vamos lá: não pode consumar (mandamento n. 7) e sequer, cogitar (mandamento n. 10)????? Complicado, hein? Nem mesmo o ordenamento jurídico vigente no país, pune a fase de "cogitação" no 'iter criminis'. Meu irmão diria: "Ameniza, vai!!!!"

Enfim, o caso é que, hoje em dia, quem manda nessa baderna é a polícia mesmo - ou deveria ser. Malandro, quando tem medo, é da polícia e do xilindró. E nada de temer "arder no fogo do inferno"...
Pecado mesmo, só jogar comida fora.

sexta-feira, 11 de maio de 2007

O munda dá voltas...

Eu sempre fui a candidata número 1 ao sucesso dentre todas as criancinhas que brincavam no parquinho.
Com 4 anos, aproximadamente, subindo a escada rolante do shopping, balbuciei, para orgulho do papai e da mamãe: bra-si-li-a! Nada mal, não?
Loirinha, magricela e muito, muito obediente, sempre encabecei a lista dos CDFs, os preferidos dos professores. Era um pouco antipática - sempre fui meio mal-humorada - e demasiadamente séria e responsável.
A verdade é que eu já nasci com 10 anos, nunca fui criança. E depois da morte do meu pai, então, nunca mais pude vacilar, razão pela qual cometi alguns erros dos quais me arrependo, sim, senhor!
Mas vá lá. Tá bom.
O fato é que me formei, fui contratada para trabalhar em um grande banco brasileiro, em uma área bem cobiçada e... só. Mudei de emprego quando cansei do banco e... é isso.
E as grandes realizações? O carro do ano? O apartamento prá morar sozinha? O namorado? A viagem prá Europa?
Bom, as cortinas ainda não se fecharam, então, o espetáculo ainda não terminou.



O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar distraído

O acaso vai me proteger

Enquanto eu andar

Epitáfio (Titãs - Composição: Sérgio Britto)

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Vila Gilda - Parte II

Quinta-feira, 7 e 15 da manhã.
Anda, anda, anda até o metrô, desce na Ana Rosa e pega o que? O Vila Gilda.
Dessa vez, muito bem acompanhada, de alguém que sempre viveu na berlinda, entre o mundo dos manos do skate e o meu mundo (que com certeza não é o do skate!). Alguém que não dirige por opção e nunca teve um carro: meu irmãozinho mais novo.
A primeira vez em que ele me acompanhou nessa empreitada, há muito tempo atrás, se viu obrigado a salvar o sapato que vôou do meu pé quando eu tentei subir no ônibus. Ele sofre, mas ter irmã pakita é isso.
Em suma, quando não anda de carona comigo, ele vive dentro do bumba. E quando sou eu que pego carona no Vila Gilda, é ele quem paga minha passagem com o "bilete único". Loucura, é quase um popular, não fosse sua origem de classe média que já foi alta.
Bom, é o seguinte: entra no ônibus, passa a catraca, escolhe o assento (olha só que sucesso!). Sentam atrás de nós "os mano". Sim, dois deles. Um deles saca o celular (que só não é melhor que o meu porque ganhei um baludo do meu irmão no Natal) e coloca uma música prá tocar no viva voz. Pois é, são 15 para as 8 da manhã e você tem que ouvir o som que o mano quer. Ok, quem sou eu para interferir nessa singela rotina que aliás, nem é minha.
Não contentes em obrigar o ônibus inteiro a ouvir a música que eles escolheram, começaram a falar atrocidades sobre as bandas em questão - só sei disso porque meu irmão, especialista musical, começou a bufar do meu lado e sacudir a cabeça. Ai, meu Deus, isso não vai dar certo. Já tô tensa.
Bom, depois da segunda música, o infeliz desliga e sossega. Pronto, podemos seguir viagem em silêncio, certo? Não, claro que não.
É neste ponto da viagem que começam as histórias escabrosas, que só uma pessoa cuja rotina consiste em se locomover dentro do Vila Gildão tem o privilégio de presenciar:
- "Mano", desacreditei daquilo. O "nego" tomou 5 tiros no peito e ainda saiu nadando, "véio"!!!!
Meu Deus, quem não acreditava mais naquilo era eu. Que raio de história era aquela? Com certeza se passou na Vila Brasilândia, ou em algum "garden" como diz minha cunhada: Miriam´s Garden ou Ângela´s Garden maybe.
O auge se deu quando um mocinho na minha frente começou a se sacudir todo, ouvindo um MP3 player num volume desesperador e o "mano", que não deixava passar uma, solta essa:
- "Mano", que que é isso! Olha a altura que o "maluco" ta ouvindo a parada????? Deve tá surdo o filho da puta.
Chega, não dá mais.
"Pulo" (lembram do pulo?) no meu ponto e caminho tranquilamente até o escritório.
Mais uma quinta-feira comum.

domingo, 29 de abril de 2007

Nunca é tarde demais


No dia em que saí de lá, surpreendentemente, chovia. Não havia um raio de Sol no céu. Ventava. Quase fazia frio.
Andei descalça na praia. Deixei a água do mar molhar meus pés. Deixei as lágrimas escorrerem pelo rosto e quando começou a garoar eu percebi que a ilha também se despedia de mim chorando. Foi assim, com um misto de alívio e muita dor que eu deixei o paraíso chamado Cayman prá trás.
Muitas pessoas me perguntaram o que, exatamente, Cayman tinha de especial. Para algumas eu disse a verdade, para outras, disse que havia encontrado o paraíso.
A verdade é que Cayman foi um alento pro meu coração machucado, prá minha alma ferida. Foi naquela ilha pequena e distante de tudo que eu redescobri os benefícios da solidão e a importância da lealdade acima de todo o resto. Ganhei uma irmã e um melhor amigo.
Quando eu cheguei lá, tinha acabado de fechar uma porta muito importante atrás de mim, tinha dado um passo importante rumo ao que eu seria para sempre: uma mulher firme. Tinha soltado amarras muito antigas, estava amadurecendo.
Tudo lá era novo, diferente. Eu não conhecia absolutamente ninguém e ninguém me conhecia. Lá, e somente lá, naquele momento, eu não tinha passado. Eu podia ser o que eu quisesse, sem o peso do que eu sempre fui. Ninguém conhecia meus erros. Só eu mesma.
Eu trabalhei sozinha, morei sozinha, sofri sozinha, fui feliz sozinha. Fui tudo o que eu podia ser. Fui uma pessoa melhor.
Quando entrei dentro daquele avião, correndo, atrasada... eu sabia que estava me perdendo de mim outra vez.
Chorei demais e acho que choro até hoje. E continuo me procurando.


"E antes que aumente a dor

Esqueça tudo o que passou

Pra nunca mais

O tempo vai reconstruir

Os pedaços que perdi

Pra nunca mais"
Tarde Demais (LS Jack - Composição: Marquinhus e Morel)

sexta-feira, 27 de abril de 2007

Assim

Amanhã não se sabe (Sérgio Britto)

Como as folhas, com o vento

Até onde vai dar o firmamento

Toda hora, enquanto é tempo

Vivo aqui, este momento

Hoje aqui, amanhã não se sabe

Vivo agora antes que o dia acabe

Este instante nunca é tarde

Mal começou, e eu já estou com saudades

Me abraça, me aceita

Me aceita assim meu amor

Me abraça, me beija

Me aceita assim como eu sou

E deixa ser o que for

Como as ondas, com a maré

Até onde não vai dar mais pé

Este instante tal qual é

Vivo aqui e, seja o que deus quiser

Hoje aqui não importa pra onde vamos

Vivo agora, não tenho outros planos

E é tão fácil viver sonhando

Enquanto isso, a vida vai passando

Me abraça, me aceita

Me aceita assim meu amor

Me abraça, me beija

Me aceita assim como eu sou

E deixa ser o que for

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Vila Gilda - Parte I


Algumas mudanças na rotina da família me obrigaram a pegar o busão de quinta-feira, dia do rodízio do meu carro. Uma coisa é certa: pakita andando de bumba não dá certo. Não é bom prá ninguém: nem prá pakita, que desconhece as regras do cotidiano dos populares e nem para os populares, que são obrigados à tolerar um ser estranho entre eles. Ou seja: ninguém sai ganhando.
Algumas semanas atrás, atingi a face de uma popular com a minha bolsa. Antes que a mulher me agredisse - com toda razão - eu me ajoelhei aos pés dela e implorei perdão. Ela compreendeu.
Em seguida, quase derrubei todos os iogurtes da sacolinha da marmita. Sacolinha de papel, que obviamente estava rasgando, já que o iogurte suaaaaaava, naquele calor infernal de 30ºC que eu enfrentava, às 8h30 da manhã dentro do ônibus, no nosso país tropical.
Tudo bem, calma, respira, arruma a franja e desce do ônibus - ou "pula" como diz uma amiga minha, que eu jurava que não tinha carro por um equívico do destino. Mas depois do "pula", ah, não sei não...
Em suma, as primeiras regras assimiladas na tenra viagem:

1- No verão, sem chance da escova sobreviver - prenda a franja e solte dentro do escritório (ar condicionado é tudo!);
2- Itens gelados suam - ou você leva em uma sacola de pano, ou NÃO LEVA os malditos iogurtes;
3- Salto alto é proibido - em dia de rodízio você tem duas opções: ou vai de rasteirinha até o escritório e lá você saca o sapato maravilhoso ou simplesmente aceita que neste dia da semana você vai usar o sapatinho-baixinho-sem gracinha - e não vai emendar a balada!;
4- Observe sempre!E tome cuidado para não destoar muito da multidão - os populares odeiam as pakitas insanas dentro do ônibus, afinal, elas sequer deveriam estar lá.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

A máscara

Às vezes me olho no espelho e quase não me reconheço: sou uma mulher presa no corpo, ou melhor, no rosto de uma menina. E sim, quando eu passo blush, fico com cara de boneca. Se passar rímel nos cílios, então, acabou! Se deixar o cabelo crescer, ele faz cachos... angelicais.
O meu rosto delicadinho em nada expressa a agressividade impetuosa da minha alma.
O auge foi quando, aos 24 anos, a mulher da bilheteria do cinema me pediu um "documento de identidade, por favor??" quando eu tentei comprar os ingressos para um filme para maiores de 18 anos. Bom, eu agradeci gentilmente o elogio e saquei da bolsa minha maior arma - obviamente depois da Carteira de Habilitação - a carteirinha da OAB.
Bem antes disso, aos 20, mais ou menos, um senhorinha beeeeeem vovozinha, amiga da minha mãe, me perguntou se eu era "coleguinha" da filha da Fulana que, por sinal, tinha 13 anos na época. Ah, va...
O caso é que, aos 22 anos, eu já era advogada formada, recém aprovada no exame da OAB e aparentava o que, uns 17, 18 anos de idade???
Depois dos trajes forenses e do cartão e crédito, devo admitir que as coisas melhoraram ou pouco, especialmente em lojas de shopping - após o expediente, obviamente, quando ainda estou "fantasiada" - e em restaurantes - onde ainda sofro graves retaliações aos fins de semana. Definitivamente, ninguém me leva à sério.
A minha pergunta, enfim, é: como uma pessoa pode ser por fora, tudo aquilo que não é por dentro?
Como diz minha mãe: "Deus sabe o que faz, minha filha".
Ele deve saber mesmo.

terça-feira, 24 de abril de 2007

A Faxina

Sempre foi meu lema de vida: se você está inclinada a dar cabo da própria vida, CORTE O CABELO.
Hoje mesmo eu cortei o cabelo, fiz pé e mão e ainda mandei lavar o carro.
Isso é o que eu chamo de lutar pela vida.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Eu confesso


A solidão que se abate sobre mim
Hoje, me abate
Caminho sozinha há tanto tempo
Que achei que já havia me acostumado
Mas essa insana solidão que se abate sobre mim
e sobre o mundo inteiro
Hoje, e só hoje
Me abate

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Respeitável Público - Parte IV

E então, estava armada a confusão! Pela primeira vez eu tinha me apaixonado por alguma coisa: O CIRCO!
Foi uma descoberta absolutamente pessoal, íntima. Eu cruzei uma barreira interna - a da indiferença por todas as coisas do mundo.
Quando me dei conta, vi que eu respirava o circo. Era para ir à aula que eu dormia e acordava todos os dias. Durou 04 meses.
Vai durar para o resto da vida.
Eu não me canso de repetir: o circo mudou a minha vida. Hoje eu sei que há algo no mundo que faz meu coração palpitar e, por isso, posso afirmar que sou mais FELIZ.
Era todo um novo mundo diante de meus olhinhos ainda incrédulos.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

O pedido

Ela é como uma irmã e, a mãe dela, como uma mãe. Minto: ela é minha irmã e, a mãe dela é, sim, minha mãe.
Há alguns anos fiquei chocada quando ela me ligou dizendo que já tinha carta, já tinha um carro!
Quando minha mãe fez 50 anos, ela reencontrou meus avós e, aos prantos, disse:
- Olha como eu cresci, tenho até namorado!!!
Pois é, até namorado ela tinha... E agora, minha irmãzinha vai casar com o namorado.
Fiquei feliz, tenho certeza que ela fez a escolha certa.
Mulher de sorte.

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Respeitável Público - Parte III



Os acontecimentos que se seguiram foram, para dizer o mínimo, espantosos. A cada aula superada, minha paixão crescia.
Eram malabares, acrobacias, trapézios, liras, tecidos, cama-elástica. Inúmeras atividades, tudo era novidade e... infinitamente dolorido! Até que ouvi de uma das minhas professoras algo que eu nunca vou esquecer, pela força que as palavras tiveram naquele momento:
- Tudo no circo dói.
E doía mesmo.
Como é que alguém pode se apaixonar por uma coisa que dói tanto? Como alguém pode viver disso? Só eu sei como. É apaixonante. Um verdadeiro universo paralelo, quase uma utopia!
E mais: dentro do Galpão, eu tive a oportunidade de ser algo que eu jamais havia experimentado, em 27 anos (agora completos!) de vida: eu era o lado fraco da corda! Tudo era difícil: a cambalhota, a parada de mão, o acrobalance, o trapézio, a CAMA-ELÁSTICA era difícil!
Mas cada superação, cada movimento completo era uma vitória minha, da turma e do professor. Todos vibravam juntos. Eu era aplaudida - literalmente - a cada vitória.
Ninguém desistiu de mim, nem mesmo eu me abandonei...
Um novo mundo se abrira diante de meus olhos.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Respeitável Público - Parte I



O circo entrou na minha vida como um sopro de alegria, muito sem querer.
Na busca eterna de uma atividade física que me fosse prazerosa, acabei cruzando a portinhola de entrada do Galpão do Circo na Vila Madalena, acompanhada de uma amiga que jamais frequentou uma aula sequer.
À primeira vista, achei tudo aquilo muito "alternativo" para caber na minha rotina regrada. Saí de lá decidida a não voltar. Mas pensei muito no caminho - o trânsito paulistano foi de grande
valia na minha decisão - mais uma vez a pergunta era uma só: o que teria eu a perder? Vou tentar então.
Quando entrei pela porta do Galpão, uma semana depois de tomada a decisão, de
mala pendurada no ombro, do alto da minha fantasia de advogadinha bem sucedida e do meu salto sempre impecável, me senti um verdadeiro Alien. Jamais fui destratada, mas ninguém entendia o que eu estava fazendo ali. Acho que nem eu, à princípio.
Entretanto, devo dizer que foi paixão à primeira vista: eu simplesmente me encontrei. Encontrei a menininha que abandonou o balé, a moça que poderia ter sido atriz, a modelo que não aconteceu. Encontrei um mundo de arte, de paixão, de gente que ama o que faz e acho que foi exatamente isso o que me encantou e, pior: que me surpreendeu.
Um novo mundo se abria diante de meus olhos.

segunda-feira, 9 de abril de 2007

Cartas na Mesa


Entrei 2007 um pouco apática e sem muitas expectativas. A situação era tão delicada que, baseada na inércia da minha vida amorosa e no marasmo do resto dos aspectos da minha vida, resolvi consultar uma cartomante. Sim, uma cartomante! É realmente inacreditável que eu - euzinha! - estivesse disposta à tamanho despaltério, mas... Lá fui eu: munida de uma amiga e um bloquinho de anotações. O que é que eu tinha à perder - além da minha reputação cética?
No dia e hora marcada, sentada no sofá da casa da cartomante, eu tentava ponderar a insanidade prestes a ser cometida: o que é que tem de mal, afinal? O que uma Senhora de fala mansa e risada gostosa poderia dizer que eu já não soubesse, não é mesmo???
Pois disse muito. Saí de lá chocada, com um misto de espanto e esperança na cabeça e no coração. Será mesmo possível?
Começava ali o meu tão esperado 2007.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

A Cruz e a Espada (Paulo Ricardo / Luiz Schiavon)


Havia um tempo em que eu vivia
Um sentimento quase infantil
Havia o medo e a timidez
Todo um lado que você nunca viu

E agora eu vejo, aquele beijo
Era mesmo o fim
Era o começo e o meu desejo
Se perdeu de mim

E agora eu ando correndo tanto
Procurando aquele novo lugar
Aquela festa
O que me resta
Encontrar alguém legal pra ficar

E agora eu vejo
Aquele beijo
Era mesmo o fim
Era o começo e o meu desejo
Se perdeu de mim (2X)

E agora é tarde
Acordo tarde
Do meu lado alguém
Que eu nem conhecia
Outra criança adulterada
Pelos anos que a pintura escondia

Agora eu vejo
Aquele beijo era o fim, o fim
Era o começo e o meu desejo
Se perdeu de mim (2X)

segunda-feira, 2 de abril de 2007

Pensamento do Dia


No país do turismo sexual, nada como uma sexológa como Ministra do Turismo

quarta-feira, 28 de março de 2007

A pinça

Em um dado momento de sua vida, a moça decidiu que subir a Consolação a pé comprometeria seu visual. Quando chegasse lá em cima, seus pés estariam inchados e doendo horrores. E o cabelo, então??? Ah, esse nem se fala: chegaria arrepiado, no mínimo, para não ser obrigada a usar linguajar impróprio!
O caso é que a moça pegou o táxi, sem ter um puto na carteira - o que não deveria ser um problema, afinal, vivemos em tempos modernos - difíceis, mas modernos...
Nada que um cheque de R$ 10,00 não resolvesse, certo? Sim, a corrida ficou R$ 10,00 - era só subir a Consolação, lembra??
Por razões não tão óbvias, pelo menos na minha opinião,o taxista ficou louco da vida:
- Eu não aceito cheque!
- O Sr. deveria ter avisado! Como não aceita cheque??
- Não aceito.
- Olha aqui meu Senhor, é o que eu tenho.
- Mas eu não aceito. Já tive muito problema...
- Tudo bem, vamos conversar direito - o Sr. tem duas opções claras aqui: ou aceita o cheque ou a corrida vai ficar de graça, porque eu não tenho dinheiro.
O caso é que a conversa chegou em um ponto que a garota se viu obrigada a ameaçar o taxista de morte. E ela me contando, indagou, muito calma e inocente:
- Pinça na jugular mata, não mata?
- Ô, se mata...
- Pois é, era a única coisa letal que eu tinha na bolsa.

segunda-feira, 26 de março de 2007

Coisas da Vida


Quando aquela mulher enfiou a cabeça dentro do carro - pela janela - e disse: "Não sabia que contratavam menores para trabalhar no banco", não tinha nem 12 horas que eu havia desembarcado em Cayman, a trabalho, com USD 200.00 no bolso.
Não entendi nada: do que essa mulher está falando??? Ou melhor: QUEM É ESSA MULHER???
Eu nem desconfiava que 'aquela mulher' se tornaria uma das pessoas mais importantes da minha vida.
Dois dias depois, uma mensagem na secretária eletrônica:
- Nossa, cadê você, me liga, meu telefone é esse. Vamos tomar sol amanhã, passo aí prá te pegar. Ai, tô preocupada que você não chegou ainda, será que perdeu a chave e não conseguiu entrar no quarto??
- Tu, tu, tu, tu...
Fui tomar sol no hotel com ela.
- Vamos tirar fotos suas! Prá mandar prá sua mãe!
Papo vem, papo vai, sol, piscina...
- Sabe que eu acho que te conheço de algum lugar...
- Eu também! - e não é que eu achava mesmo! Quando ela enfiou a cabeça dentro do carro, achei que já tinha visto aquela mulher em algum lugar... do passado!
Conversamos horas tentando descobrir se já tínhamos nos esbarrado no Brasil e nada. Nem indício de que um dia nossas vidas haviam se cruzado.
Quinze dias depois, a revelação, durante uma conversa de botequim: nascemos no mesmo dia, quase na mesma hora; ela apressada, 07 anos antes.
Deve ser daí que nos conhecemos, do dia 05 de abril de um ano qualquer.
Quando eu fui embora, 02 meses depois, ela chorou, chorou, chorou...
Eu chorei também, estava indo embora sozinha... Bom, mais ou menos sozinha, né? Ela veio comigo... dentro do meu coração.
Tem coisas na vida que não tem explicação mesmo.

sexta-feira, 23 de março de 2007

Pensamento do Dia


"A elegância é a arte de ser você mesma."
Givanchi

quinta-feira, 22 de março de 2007

Tempos difíceis

Hoje em dia importante mesmo é ser bonita, rica e famosa. A qualquer preço, devo ressaltar. Pudemos observar, recentemente, o destino da (ex)Diva dos adolescentes, Britney Spears: foi diagnosticada bulímica, raspou os cabelos em um surto e encontra-se internada em uma clínica de recuperação. Mas isso não importa, o que importa é que 'Ops, I did it again!'.
É nesse contexto triste que me vejo obrigada a enaltecer o comportamento nobre, decente e verdadeiramente humano da atriz americana Angelina Jolie.
Angelina Jolie Voight nasceu em 4 de junho de 1975, em Los Angeles, Estados Unidos. Dona de uma beleza estonteante e de talento indiscutível, a atriz de 31 anos já foi premiada com o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por "Garota, Interrompida" (1999).
Apesar de nascida em território americano, ela parece não se deter por fronteiras geográficas. Mãe adotiva de Maddox Chivan Jolie-Pitt (Kendal, Camboja, 5 de Agosto de 2001), adotado no Camboja em 10 de Março de 2002, Zahara Marley Jolie-Pitt (Awassa, Etópia, 8 de Janeiro de 2005), adotada na Etiópia em 6 de Julho de 2005 e de Pax Thien Jolie-Pitt, (Ho Chi Minh, Vietnã), adotado no Vietnã recentemente, a atriz deu à luz à sua primeira filha biológica, Shiloh Nouvel Jolie-Pitt no dia 27 de Maio de 2006. A criança nasceu em Swakopmund, na Namíbia, por opção de Jolie e Brad Pitt, o pai da criança. No mínimo, inusitado.
Sua postura agressiva e fora do comum não combina, definitivamente, com o ambiente hostil e impessoal em que estão imersas as celebridades de Hollywood. A atriz, que já chegou a declarar publicamente sua bissexualidade, tornou-se Embaixadora da Boa Vontade da ONU e passa grande parte do seu tempo visitando lugares miseráveis, muitas vezes devastados pela praga da guerra civil ou por algum fenômeno natural.
Em sua filmografia extensa, vale destacar alguns de seus trabalhos, pela atuação impecável:
1998 - Gia - Fama e Destruição (Gia)
1999 - Garota, Interrompida (Girl, Interrupted)
2003 - Amor sem fronteiras (Beyond borders)
Assim, o bom-senso força-me a admirar a mulher, atriz, mãe e Embaixadora da ONU Angelina Jolie Voight, e a rejeitar instintivamente as celebridades fabricadas, fontes diárias de notícias por frequentarem esta ou aquela boate da moda, saírem de lá carregadas por seus seguranças, completamente embriagadas e se internarem (e se desinternarem) em clínicas de reabilitação de 15 em 15 dias. Patético, no mínimo.
Toda a minha admiração à força e ao caráter da atriz que está trilhando caminhos diferentes, dignos de quem tem algo a dizer e, principalmete, a mostrar para o mundo.