segunda-feira, 24 de setembro de 2007

A batalha dos vegetais

Morar sozinha sempre foi um objetivo de vida - de vida paquita, mas ainda assim, UM OBJETIVO DE VIDA. O amor aos sapatos e às baladas me afastam um pouco do momento de alcançá-lo, mas enfim, uma hora eu vou ter que tomar algum tipo de atitude para que isso se realize.
Com este firme propósito em mente, iniciei o que seria, não tão mais tarde, a primeira prova de fogo para uma paquita que, a vida inteira mimada por sua Mamãe Veneno, almeja alçar seu primeiro vôo rumo à liberdade: passei o fazer feira todos os domingos, na qualidade de observadora de Mamãe Veneno. Minha primeira intenção era me aproximar da realidade, já que sempre me considerei uma brasileira privilegiada. Mas acabei aprendendo a diferenciar alface lisa de crespa. Um sucesso!
Devo esclarecer logo de cara que a minha intimidade com os afazeres domésticos não poderia ser descrita com simples palavras. Somente quem teve o privilégio de conhecer os meus hábitos refinados é que poderia ser capaz de relatar: sapatos de R$ 200,00, unhas feitas - e perfeitas! - toda semana, transporte público? Só quando falta inspiração para escrever - e dá-lhe Vila Gilda! Cerveja: Bohêmia, shampoos de R$ 80,00 - importados, obviamente. Creminho para o corpo: Mary Kay - R$ 60,00 o tubo. Como diria meu ex-namorado: "Monange nem pensar, né?" Só pode estar de palhaçada!
Foi exatamente nesses termos, muito íntima da simple life, que ontem fui à feira e, detalhezinho importante: SEM Mamãe Veneno.
Saí de casa de posse do carrinho - sim, um carrinho de feira - com R$ 50,00 no bolso e a missão (impossível) de trazer frutas, verduras e legumes que foram cuidadosamente listados no guardanapo da balada de sábado à noite.
- Traz o troco! - bradou Mamãe Veneno.
Fui. Vestidinho fashion, bolsinha, havaianas, ÓCULOS ESCUROS. Não sei se pelo sol ou para não ser reconhecida, confesso.
Escolhi alface romana, diferenciei agrião de rúcula. Dispensei um maço de brócolis porque "não estava bonito". Aproveitei promoções imperdíveis:
- SEIS POR CINCO, TRÊS POR DOIS E MEIO.
Traduzindo: seis saquinhos de legumes diversos por singelos R$ 5,00, três saquinhos por R$ 2,50. Uma loucura! Comprei mandioquinha, pepino, quiabo, cenoura. Escolhi beterraba. Ou pelo menos era isso o que eu ACHAVA que eu tava fazendo.
Os tomates estavam horrorosos, mas imagina se eu apareço em casa sem tomates itlianos! Mamãe Veneno me mata!
Cada item era examinado, comparado. Nada de pressa! Meu nome é eficiência.
Chego em casa orgulhosa, com o carrinho semi-cheio e sou indagada logo de cara, pelo sensível Irmão Veneno, perplexo:
- VOCÊ FOI À FEIRA?
- Fui.
- MAS VOCÊ SABE FAZER FEIRA???????
- Bom, isso é o que nós todos vamos descobrir durante esta semana.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

A polêmica

Ultimamente ando assim: tô dispensando carona só prá pegar o Vila Gilda e ver se me dá uma luz, se as palavras brotam. Ando rezando prá alguma coisa maluca acontecer na minha frente prá eu poder fazer um texto legal.
A verdade é que ando meio limitada - em tempo, idéias, recursos - ando trabalhando muito e tenho acesso limitado ao meu instrumento de trabalho - o computador.
Não posso também deixar de considerar que escrever é uma arte e arte exige inspiração. Inspiração não bate na porta - invade, com o pé no peito. Se deixar escapar, azar o seu. Já perdi mais de um texto porque o danado surgiu dentro da minha cabeça às 4 da manhã. Juro que se eu entrar às 4 da matina no quarto do meu irmão, ele vai me apavorar. "Vai tomar no ..." vai ser a coisa mais simpática que eu vou ouvir.
Outro problema são as próprias histórias para se contar: muitas delas podem comprometer uns e outros - eu, inclusive. Nem tudo pode ser publicado. É claro que eu posso me utilizar - e utilizo - de artimanhas e subterfúgios, como por exemplo, usar code names, maquiar acontecimentos, omitir, mas sempre tem um de faro fino que identifica o pecador.
A última polêmica de meus textos foi o raio do abismo que eu inventei de abrir na cabeça dos meus leitores: essa história de pula ou não pula já me rendeu alguns telefonemas. Muita calma nessa hora - estamos diante de uma metáfora.
Os apaixonados que me perdoem, mas o amor é mesmo um abismo.

E o que vou contar hoje é que tenho, diante de mim, três solteironas balzacas - quase, quase nos trinta - todas elas bem diante de seus abismos:
Morena Veneno, que está diante do mesmo abismo pela segunda vez, doidinha prá pular. Já se estabacou uma vez e, quando achou que estava recuperada, se viu lá, diante do próprio, louca prá se atirar mais uma vez, nos braços do amor.
Solteira Veneno - essa já se jogou. Não sabe se volta, não sabe se quer voltar, não sabe de nada. Só sabe que não dorme mais. Não come. Foi queda livre, pura adrenalina. Um jump que não dá prá esquecer. Não acreditou que acabaria estatelada no chão. Luta todos os dias prá se recuperar da queda e tá quase lá.
A última é uma sonhadora. Fica cega quando se vê diante do abismo: é tudo o que ela sempre quis mas, o medo, a paralisa. E lá ela fica, na beirinha do abismo...

Façam suas apostas: quem será a primeira a pular??