terça-feira, 22 de abril de 2008

Rotina - Parte II

Acordou insana naquele dia, possuída:
- Não vou trabalhar hoje, nem a pau!!! - e colocou o despertador para dali vinte minutinhos básicos.
Abriu um único olho e levantou da cama amaldiçoando o momento em que não nasceu em berço de ouro.
- Trabalhar hoje vai ser impossível - pensou lá com seus botões.
Tomou banho com preguiça, muuuito sono. Planejou desmarcar todos os compromissos daquele dia: a depilação na hora do almoço, o happy hour com o amigo querido, sumido há meses. Estava muito cansada... COM SONO!
Pegou o carro, fez o mesmo caminho de sempre, não notou nada de diferente em lugar algum.
Chegou no escritório carregando bolsa, bolsinha, bolsão, casaco, chave, crachá. Largou tudo na cadeira e saiu em busca da copeira:
- Me faz um café. GRANDE. QUE SOOOONO!
Trabalhou o dia todinho sem muitas interrupções; o amigo desmarcou o happy hour aos 45 do segundo tempo.
Desligou o micro e pegou o casaco quando ouviu o celular tocar dentro da bolsa. Viu quem era antes de atender e pensou por um minuto se deveria...
- Alô?? - fingiu ignorar quem ligava.

domingo, 13 de abril de 2008

Quero ser Marin Frist

Fui uma criancinha muito da exibida, minhas ambições sempre envolveram estar em cima de um palco: quis ser bailarina, cantora, modelo, atriz, qualquer coisa em que eu fosse o centro das atenções.
Com o tempo, desenvolvi a timidez: passei a esconder o corpo, o talento, as idéias, os defeitos, as fraquezas, as dores. Hoje, quero ser Marin Frist.
Marin é uma mulher linda e loura, bem sucedida, elegante, independente. Ela escreve livros e artigos; tem um programa no rádio. Morou na cidade grande e foi parar no fim do mundo - literalmente, em uma cidade ridiculamente pequena. Ela é sofisticada. Mora numa casa ma-ra-vi-lho-sa, à beira de um lago igualmente ma-ra-vi-lho-so e, neste exato momento, tem um homem sensacional - e gostoso - apaixonado por ela. Mas é claro que, nem assim, Marin é completamente feliz.
Ainda assim, quero ser Marin Frist.

segunda-feira, 7 de abril de 2008

Rotina - Parte I

Levantou no mesmo horário e, quando saiu da cama naquela manhã ,estava pronta para abraçar o mundo e tudo de bom que a vida podia lhe dar.
Tomou um banho longo, deixou a água lhe correr o corpo, molhar os cabelos sem pressa nenhuma.
Pegou a bolsa de cima da poltrona e saiu agarrando um sanduiche que estava prontinho em cima da mesa.
Foi de carro pelo mesmo caminho de sempre. Parou nos semáforos, fechou as janelas com medo. Estacionou na mesma vaga de todos os dias: S2.
Trabalhou com vontade. Parou por cinco minutos. Depois do almoço, pediu um café... que sono!
Fez hora extra. Normal.
Quando o telefone tocou, atendeu fingindo pra si e para o mundo que não se importava:
- Alô??
Escutou calada, sorriu em silêncio e concordou:
- Te encontro lá em meia hora, pode ser?
Escovou os dentes, arrumou os cabelos e se foi.
Abraçou seu mundo. Seu mundinho de todos os dias.

A descoberta


Uma bactéria totalmente fora do script mudou o destino daquela semana: antibiótico e, portanto, nada, nada de bebida alcoólica.
Justo naquela semana, de intensa atividade social, planejada e inadiável: despedida do meu querido amigo Mineiro Veneno, com a presença implacável e, obviamente, altamente alcoólica dos Canalhas Veneno e, para fechar a temporada do "não ao álcool", formatura da minha querida cunhadinha, Quiança Veneno.
A pergunta ressoava na minha cabeça e, certamente na cabeça dos meus companheiros de copo: será que ela vai conseguir??
A primeira parte da odisséia era, na minha cabeça, a mais difícil, por um motivo muito simples: EU AMO O CHOPP DO JUAREZ!!!!
Tomei suquinho de laranja e fui a piada de todos os companheiros: ninguém estava acreditando naquilo. Muito menos eu.
Resisti bravamente e, conversa vai, conversa vem, fotos do evento, registro do discurso... quando vi, a balada tinha se encerrado e eu lá estava: sóbria e feliz!
Sequer apresentei sintomas de abstinência!
A segunda etapa foi um pouco deprê: evento de família, todos os casais sentados na mesa e eu lá... SOLTEIRA E SÓBRIA. Tava complicado. Eis que, após o cumprimento de todas as formalidades da graduação dos pupilos, entra um trio-elétrico gigantesco na pista, carregando ninguém menos do que Saulo e sua Banda Eva. Pirei! Levantei da mesa e sacudi o esqueleto com gosto!!! Muito da sóbria, diga-se de passagem. Pulei, gritei, me descabelei e quando percebi... lá se fora mais uma puta balada... em que eu fiquei absolutamente sóbria.
Eu sei que para os companheiros do copo isso pode parecer incrível mas eu constatei: é possível se divertir sem amargar as terríveis consequências da ressaca!