domingo, 4 de novembro de 2007

Rio de Janeiro

Nunca acreditei em amor à primeira vista, mas quando eu conheci o Rio de Janeiro, foi exatamente isso o que aconteceu: eu me apaixonei. Especialmente, por Copacabana.
Como boa paulista, sempre odiei o Rio à distância. Sempre achei que a veneração à Cidade Maravilhosa era coisa de novela: afinal, o que é que ela tem de especial? O Cristo?
O caso é que quando o avião pousou no Santos Dummond a coisa toda mudou de figura. Me encantei com a cidade, com as praias, com tudo. Amor. À primeira vista. Assim, sem explicação.
A minha sina foi voltar prá São Paulo e escutar que o Rio é uma cidade sitiada. E é, de fato, todo mundo sabe. Não me conformava que um lugar tão lindo pudesse viver sitiado pela violência, pelo tráfico de drogas, à mercê dos bandidos. Como pode?
Todas as barbaridades que eu já estava acostumada a ouvir sobre a Cidade Maravilhosa tomaram outra forma prá mim, tinham outro peso agora. Eu lamentava a situação do Rio de Janeiro como boa espectadora da situação, afinal, eu não moro lá.
Andei tão entretida com a minha própria rotina que foi um pouco sem querer que ouvi alguns comentários acerca de Tropa de Elite – o polêmico filme de José Padilha.
Fui assistir ao filme no dia da estréia – antecipada, por causa da pirataria - sozinha, numa sexta-feira. Sala lotada, expectativa total: depois de “descobrir o filme”, pesquisei um bocado sobre ele.
Saí da sala chocada, estarrecida. Não sabia o que pensar, não sabia se acreditava naquilo ou não. Eu sempre vivi marcada pela violência, marcada por morar em um país violento mas aquilo era muito além de tudo o que eu podia imaginar.
As cenas de violência, a crueldade. Tudo me chocou. O discurso forte, a agressão moral à classe média, ridícula, que se afunda há anos na lama do país, calada, sendo responsabilizada pela manutenção do tráfico de drogas. Jovens estudantes das melhores faculdades do país reduzidos à maconheiros e... nada mais. Jovens estudantes, “o futuro deste país” fumando maconha e bradando seus discursos enlatados, desenformados pela visão parcial e distorcida da realidade em que vivem.
Achei corajoso, verdadeiro. Entendi porque o filme não foi o nosso indicado para concorrer ao Oscar. Já imaginou a repercussão? Ninguém aguenta tanta verdade.
O caso é que o filme mexeu comigo, profundamente. Assisti mais de uma vez. Comprei o livro, Elite da Tropa e fiquei ainda mais horrorizada. De uma maneira diferente, mas ainda assim, horrorizada. O filme é mais simpático, acreditem, o livro, de uma realidade muito crua, um sarcarsmo irritante do narrador mas, ainda assim, muito bom.
Resolvi me aprofundar e, neste momento, estou lendo Abusado - O Dono do Morro Santa Marta, de Caco Barcellos. É o outro lado da história: narra a trajetória de um famoso traficante carioca e a sua ascenção na vida do crime.
Continuo chocada. O Rio de Janeiro me fascina por vários motivos.
Gostaria de ter alguma esperança de um dia, poder morar lá.



Minha alma canta
Vejo o Rio de Janeiro
Estou morrendo de saudades
Rio, seu mar
Praia sem fim
Rio, você foi feito prá mim
Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Rio de sol, de céu, de mar
Dentro de um minuto estaremos no Galeão
Copacabana, Copacabana

Cristo Redentor
Braços abertos sobre a Guanabara
Este samba é só porque
Rio, eu gosto de você
A morena vai sambar
Seu corpo todo balançar
Aperte o cinto, vamos chegar
Água brilhando, olha a pista chegando
E vamos nós
Pousar...
(Samba do Avião - Tom Jobim)

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu também assisti o filme, e fiquei muito chocada, fiquei vários dias pensando em tudo que vi. Mais uma vez parabéns pelo texto, como sempre muito bem escrito, perdemos uma bela jornalista para o mundo jurídico (rs). Ah...e obrigada pelo passo a passo de como postar um comentário, só faltou desenhar né!? Agora vai...

Anônimo disse...

É Cami, num país de tanta desgraça o Capitão Nascimento vira herói nacional!
Uma outra coisa que me revoltou muito neste filme foi a quantidade de cópias piratas vendidas. Será que as pessoas não percebem que a pirataria também financia a bandidagem? Quando cada um vai começar a fazer a sua parte?
Quanto ao RJ, vc sabe qual é a minha opinião. Eu acho a cidade linda, só não gosto...(vc sabe do quê). E dá-lhe Reveillon 2008!!!
Beijão!